Uma forma responsável de descobrir os Açores
O Espaço Talassa faz observação de baleias a partir das Lajes do Pico desde 1989, com a licença açoriana de observação de cetáceos 07/2008. Deixámos de oferecer natação com golfinhos em 2017, embora continue a ser legal nos Açores. Os nossos barcos ficam a pelo menos 50 metros dos cetáceos, e nunca mais de três barcos ficam a menos de 300 metros do mesmo grupo — dois, a menos de 400 metros, no caso das baleias. Os animais são localizados por dois vigias em terra, em vez de serem procurados no mar. Doamos 0,50 € por cliente ao projeto de reflorestação do Cabeço Santo, com a Quercus. Não temos nenhuma certificação de terceiros, e explicamos abaixo porquê.
Mas a nossa presença em lugares tão tranquilos e preservados traz responsabilidade. A mesma curiosidade que nos aproxima da natureza também a pode perturbar. Com este Código de Ética, queremos minimizar o nosso impacto e preservar a harmonia natural dos Açores — a sua cultura, as suas gentes e o seu oceano.
Respeitando quem encontramos e protegendo o que observamos, garantimos que cada viagem não é só inesquecível, mas também parte de um futuro sustentável para estas ilhas.
Antes da viagem
Antes de cada saída, preparamos os nossos clientes com conhecimento, porque compreender é o primeiro passo para respeitar.
- A nossa biblioteca está aberta a todos, com livros, vídeos, trabalhos de investigação e acesso à nossa base de dados de observações, recolhidas desde 1993.
- Um briefing de 15-20 minutos antes de cada saída apresenta-lhe os cetáceos do mar dos Açores: o seu habitat, comunicação e comportamento.
- Os nossos biólogos estão disponíveis para responder a perguntas e partilhar as informações mais recentes sobre os animais que vai encontrar.
No mar, com os animais
São sempre os animais que ditam as regras. O seu comportamento determina como nos aproximamos, quanto tempo ficamos e quando partimos.
Antes de nos aproximarmos de um grupo de cetáceos, consideramos:
- A espécie (cada uma reage de forma diferente aos barcos).
- A presença de juvenis.
- A sua atividade (alimentação, descanso, socialização ou deslocação).
A nossa conduta no mar segue estes princípios:
- Aproximar devagar, por trás e de lado, a velocidade constante.
- Nunca a menos de 50 metros.
- Nunca colocar o barco entre as crias e os adultos.
- No máximo três barcos podem observar o mesmo grupo a menos de 150 metros.
- Os barcos ficam do mesmo lado, sem nunca cercar os animais.
- Não ficar com o mesmo animal mais de 30 minutos.
- Sair devagar, mantendo velocidade reduzida num raio de 300 metros.
- Nunca tentar tocar ou alimentar um animal.
Por mais marcantes que estes encontros possam ser, as baleias e os golfinhos nem sempre estão dispostos a interagir, sobretudo quando se alimentam, acasalam ou cuidam das crias. O mestre avalia cada situação, pesando o estado do mar, o comportamento da espécie e a segurança.
Nadar com grandes baleias é proibido pela lei açoriana. Em certas condições, nadar com golfinhos pode ser permitido — com estas 5 espécies: golfinho-comum, golfinho-pintado, golfinho-riscado, roaz e grampo —, mas apenas com equipamento de snorkel, nunca com garrafa.
Embora a lei açoriana o permita em condições estritas, o Espaço Talassa deixou de oferecer natação com golfinhos em 2017. → Porque não deve nadar com golfinhos
A investigação exige por vezes exceções a estas regras, mas só quando absolutamente necessário e com padrões éticos rigorosos, para garantir uma perturbação mínima.
Respeito e encontro
O respeito pelas pessoas é tão importante como o respeito pelos animais.
- Não julgue depressa demais quem tem uma cultura moldada por 150 anos de baleação.
- Aprenda e use algumas palavras em português: “obrigado”, “bom dia”, “como está?” — abrem corações e sorrisos.
- Vista-se de forma adequada nas povoações e evite mudar de roupa em locais públicos como portos ou cais.
- Peça sempre autorização antes de fotografar pessoas.
- As gorjetas e os presentes são gestos de agradecimento opcionais; os salários nos Açores continuam modestos em comparação com a Europa continental.
Artesanato e lembranças
Recuse comprar qualquer produto feito a partir de animais marinhos.
A Convenção CITES proíbe a venda de marfim, osso de baleia, carapaças de tartaruga e dentes de tubarão.
O Espaço Talassa trabalha com dois objetivos claros:
- Informar os visitantes sobre o perigo do comércio de marfim e a sua ligação à baleação.
- Apoiar os artesãos locais que usam materiais alternativos, como madeira, pedra e marfim vegetal.
Trabalhar em conjunto
O Espaço Talassa contribui para um futuro sustentável:
- Investindo na formação profissional da nossa equipa.
- Acolhendo estudantes estrangeiros e apoiando estagiários portugueses.
- Colaborando com associações ambientais como a Quercus.
- Oferecendo programas educativos para escolas, incluindo saídas a preço de custo para estudantes.
Olhar para o futuro
As baleias já não são caçadas nos Açores, mas persistem novas ameaças: poluição, sobrepesca e perda de habitat.
Desde 1992, o Espaço Talassa colabora com a Universidade dos Açores e o Governo Regional no desenvolvimento de regras para a observação de baleias que protejam os animais e as pessoas.
Daí nasceu o Decreto Legislativo Regional de 1999 (9/99/A), a base da observação responsável de baleias nos Açores.
O nosso compromisso
O Espaço Talassa vive segundo este Código de Ética, não como um regulamento, mas como uma forma de estar.
Ao juntar-se às nossas saídas, passa a fazer parte deste compromisso.
Juntos — viajantes, guias e o próprio mar — podemos garantir que o turismo não é uma intrusão, mas uma continuação do respeito.
“A pergunta continua: pode o turismo ser verdadeiramente sustentável?
Acreditamos que sim — se começar pela consciência, pela humildade e pelo cuidado.”
Legislação açoriana
- Decreto Legislativo Regional n.º 9/99/A
- Decreto do Presidente da Republica : n.°20
- Decreto Legislativo Regional : n.°13
- Portaria n.° 5 2004 de 29 de Janeiro
- Portaria n.° 17 2007 de 29 de Marco
- Portaria n.° 49 2004 de 24 de Junho de 2004
- Portaria n.° 70 2005 de 8 de Setembro de 2005
- Rectificacoes 107 2004